17 de setembro de 2013

Zodíaco



Chequei os astros para ver se a gente combina. Bobagem a minha, eu sei.  Releio as nossas conversas, relembro quando nos esbarramos pelos corredores, revejo mentalmente cada gesto que trocamos quando estamos próximos. É... A gente combina. Eu sei. Você também sabe.  Ainda assim, consulto as estrelas todos os dias. Quem sabe elas não indicam o momento certo da gente se revelar um para o outro? 

15 de setembro de 2013

Traição



O sol insiste em sair. Os dias em serem suaves. A vida em nos fazer sorrir. Tudo para depois, o acaso nos puxar o tapete: rápido, sem aviso, nos fazendo despencar de cara no chão. Dói.

8 de setembro de 2013

Inércia

Sensação de que estou maior do que caibo em mim. Em loop. Porque meu corpo parece não saber se acomodar mais às nuances e dúvidas dos diversos sentimentos que, de uma hora para outra, vieram me sufocar. Fazia tanto tempo... Estava com os ouvidos, olhos, boca e coração fechados. Devia ter continuado assim. Mas, as barreiras eram imaginárias. E, por não serem concretas, resolveram desabar. Nesse domingo frio. Nessa noite melancólica. Nessa mesmice que parece mais uma prisão perpétua. Nessa minha teimosia em não agir. Nessa necessidade de querer entender o que não tem explicação. Passa a vida, passa o tempo, passa... Passa tudo diante de mim. Só eu que não acompanho o passo.


“Fechei os olhos e pedi um favor ao vento: leve tudo que for desnecessário. Ando cansada de bagagens pesadas. Daqui para frente apenas o que couber no bolso e no coração”. - Cora Coralina.

Assim seja.

6 de setembro de 2013

Amargor



Sinto falta lá de fora. De ter o mundo dos outros. Mas dos outros felizes. Que estampam companheirismo, fins de semanas agradáveis e congelam tudo em imagens #nofilter por aí. De amigos. De amores. De ousadias. De vida. Inveja? Egoísmo? Hipocrisia? E, quem consegue cumprir a promessa de ter sentimentos bons sempre? 

24 de agosto de 2013

Constatação 7

Terminar um amor é um ato de coragem. Covardia é começar a amar. 

28 de dezembro de 2012

Dois mil e treze






A cada final de um ciclo, a mesma sensação: a possibilidade de poder fazer melhor, viver mais, querer mais. Em todo fim, soma-se mais uma oportunidade. Enquanto todos comemoram a chegada de um novo calendário, eu agradeço: as pessoas que conheci, os lugares que visitei, as chances que tive, os presentes (materiais e imateriais) que ganhei, as novidades que vivi. Não cabe aqui registrar tudo que eu realizei este ano. E hoje não quero resoluções. Me despeço de 2012 com um sorriso largo no rosto e uma pontada de nostalgia por saber que o tempo, esse efêmero controlador de nossos caminhos, não vai voltar mais. Mas ainda assim, é bom que as coisas sigam seu curso natural. Vão em frente. Por isso, encerro o ano com a mente aberta: ao novo e ao desconhecido. 2012 foi um ano surpreendente e realmente, muito, muito bom. Quase fantástico. Então, apenas agradeço. Mil vezes se preciso. E só faço uma promessa: não vou criar expectativas quanto a 2013. Só quero que ele venha. E, é tudo novo de novo, e de novo. Ainda bem. Tim-tim!

16 de setembro de 2012

Gargalhada




"Quando me disseste que não mais me amavas,
e que ias partir,
dura, precisa, bela e inabalável,
com a impassibilidade de um executor,
dilatou-se em mim o pavor das cavernas vazias...
Mas olhei-te bem nos olhos,
belos como o veludo das lagartas verdes,
e porque já houvesse lágrimas nos meus olhos,
tive pena de ti, de mim, de todos,
e me ri
da inutilidade das torturas predestinadas,
guardadas para nós, desde a treva das épocas,
quando a inexperiência dos Deuses
ainda não criara o mundo..."

Guimarães Rosa

Consciência cósmica



"Já não é preciso de rir.
Os dedos longos do medo
largaram minha fronte.
E as vagas do sofrimento me arrastaram
para o centro remoinho da grande força,
que agora flui, feroz, dentro e fora de mim...

Já não tenho medo de escalar os cimos
onde o ar limpo e fino pesa para fora,
e nem de deixar escorrer a força dos meus músculos,
e deitar-me na lama, o pensamento opiado...

Deixo que o inevitável dance, ao meu redor,
a dança das espadas de todos os momentos.
E deveria rir, se me restasse o riso,
das tormentas que pouparam as furnas da minha alma,
dos desastres que erraram o alvo de meu corpo..."

Guimarães Rosa

28 de agosto de 2012

Purgatório


Sabe o que não aguento?
Esse limbo.
Esse ser ou não ser, estar ou não estar.
O tal da “eis a questão?”
É que sou 08 ou 80, vai ou racha.
Não gosto de meios termos, meias palavras, meias verdades, metades
Gosto do inteiro.
Da reciprocidade.
Ou nada mais ou todo o resto.

30 de junho de 2012

Decifro-me?


Posso passar anos sozinha que não vou me conhecer. Não me permito. Na verdade, tenho medo. É dolorido, penoso olhar para o avesso de mim. Não sei o que posso descobrir. Todos nós guardamos o mistério de ser, simplesmente, nós mesmos. E é isso que me aflige. Certo quem disse que feliz é aquele que vive na ignorância de não se saber. Eu vou por esse caminho, o mais fácil. Uma fraqueza, admito. Ainda me falta a coragem.

20 de junho de 2012

Constatação 7


O que não consigo falar em lágrimas, transbordo em palavras. Alívio.

10 de junho de 2012

Perda


Fiquei arrasada. Essa é a verdade. Impressionante a fragilidade da natureza humana. E tudo aconteceu tão depressa. Não fazia uma semana e estava tudo bem. Palavras encadeadas. Sentenças formuladas de forma compreensível. Agora não mais. Palavras soltas, visão escura. Os traços de um passado sofrido permanecem difusos na memória. No que resta de uma memória. De que servem as lembranças? Os momentos compartilhados? Se perderam na teia do tempo. O amor, esse continua. Sem distinção. Em todo o momento nos enchia de beijos, abraços, carinho. A fé também. Inabalável. Reverberada em várias graças a Deus. A nós, cabe a tristeza e a paciência. A convivência com uma doença de nome impronunciável. A dificuldade de enxergar a finitude lenta de uma pessoa que é a própria bondade. 

5 de abril de 2012

Invisível


E é esse silêncio e essa solidão que me acompanha no vagar das horas. E é esse peso do vazio que oprime o peito. E é essa angústia calada que cresce. Vejo o mundo em pares, vejo diversão e sorrisos. Vejo o sol brilhar e a vida seguir seu curso para todos. Ao contrário, estacionei. Ou melhor, estou presa em um filme em slow-motion. Fiquei caminhando demais pela sombra e agora não sei trocar o rumo. Ainda não descobri onde me perdi, qual rota tracei errada ou se esperei demais. Parece que a vida não acontece para mim ou eu não aconteço para ela.

6 de janeiro de 2012

Dona Irene

Quando cheguei em sua casa era próximo a hora do almoço. 11h20 para ser mais exata. Me esperava na porta do seu apartamento. Número 802. O tamanho, próximo a 1,50m. Mas a estatura era inversamente proporcional a simpatia e ao sorriso. Me convidou para entrar. O som do ambiente era sobre o assunto que iríamos tratar: a rádio Itatiaia. O dia todo sintonizada. Só desliga quando está dormindo e nos horários das novelas. Ambiente formidável, como define a sua estação de rádio favorita. Móveis antigos. Tão antigos quanto a sua paixão: o Galo. O amor está estampado em cada canto da casa. Assim como as fotografias de família. No corredor, uma radiola. Último presente da sua mãe, que foi embora no dia em que o Brasil ganhou o primeiro campeão brasileiro de futebol. Misto de alegria e dor, comum a todo torcedor atleticano. O papo fluiu rápido, mas durou muito. Exibiu com orgulho os recortes dos jornais, os postêrs do time do coração, os LP’s e compactos feitos pela Itatiaia. São relíquias, que apesar da materialidade e da idade avançada, consegue reviver na memória e expressar em detalhes. Oitenta e oito. Essa idade não é para qualquer um. E que lucidez! Fala sobre futebol melhor do que os jovenzinhos que andam por aí. Chega até a ser invejada, como me mostrou, em um comentário feito por um rapaz, em uma matéria publicada por outro jornal. De uma simplicidade singular, me confessou o seu maior sonho: conhecer a Itatiaia. Ver todas as vozes que lhe fazem companhia a mais de 30 anos. Afinal, mora sozinha: ela, Deus, as lembranças, a rádio e o Galo. Coleciona pequenos troféus, como o chaveiro que ganhou das mãos de Telê Santana, em 1971. Desse, ela não vai desgrudar nunca. Nem quando fizer a passagem. Tanto carinho, dedicação e histórias davam para montar um museu. Pôs a radiola para funcionar e ouvi paródias antigas que enalteciam o Galo. E escutei a cobertura da visita do Papa João Paulo II, em 1980, na voz de Zé Lino. Com a esperteza, que só a sabedoria é capaz de nos dar, tem um plano. Mostrar ao dirigente do Atlético todos os seus guardados e exigir um “Galo de Prata”. Ela merece, oras! Depois de uma vida toda devotada ao Carijó. Com o calor, me ofereceu um refresco ou um Mate Couro. Recusei. As suas palavras me bastavam. Posou para as fotos como quem já estava acostumada com a fama, segurando a bandeira alvinegra. Dona Irene. Pessoa ilustre. Encantadora. Merece muito mais que um troféu de prata. Merece um troféu de ouro pela simpatia e solicitude. Mas, sinto muito Dona Irene, quem ganhou o prêmio hoje fui eu, por conhecer a senhora. Salvou meu dia. Foi um prazer.




27 de dezembro de 2011

Resoluções



Não tem jeito. Quando chega o fim, a gente se pega lendo as previsões do ano vindouro ou fazendo as resoluções. Confesso. Tenho queda por resoluções. Gosto de listar e ver o quanto progredi. Ou não. Também leio toda essa bobagem que os astrólogos dizem. Ah, sabecomé... Às vezes, as previsões podem estar certas e não quero perder as oportunidades. Apesar de que esqueço no minuto seguinte o que li. E, por mais que eu desacredite, acreditando, em horóscopo, numerologia e afins, eles são ótimos para nos distrair quando o tédio se torna maior que a preguiça.

2011 foi um ano ímpar. Trocadilhos infames à parte, este ano foi no mínimo paradoxal. O mundo viveu momentos intensos e importantes, entre tragédias e revoluções. Se for analisar, 2011 foi um ano trágico. Mas não preciso listar os porquês. Acima de tudo foi um ano de mudanças. E, embora possa parecer estranho – e esse texto sem sentido – o ano que se finda, cansativo, devagar e chuvoso, foi um ano bom para mim. Portanto, não venho dizer o que espero do temido 2012 do calendário maia, mas mostrar as conquistas desse turbulento 2011. É uma forma de agradecimento. De dar vazão aos sentimentos. E de enxergar, sobretudo, que as coisas ruins são inevitáveis, porém sempre superadas pelas coisas boas.

Não perdi ninguém que eu amo esse ano. Já me sinto realizada, feliz e tranqüila com isso. Foi um ano tão cheio de perdas, de vidas soterradas... Eu posso dizer que essa é a negativa mais feliz que faço. Como o meu propósito é não fazer mais negativas ao longo do texto, lá vai...

Cortei o cabelo mais curto, cortei franja. Nada muito audacioso ou perceptível para os outros. Entretanto, as pequenas transformações devem ser citadas. As cores dos fios continuaram as mesmas, mas não me incomodo com isso.

Li bastante. É certo que livros menos interessantes do que eu previa, mas somaram em meus conhecimentos. Até para evitar a recomendação deles aos outros. Formei! Sim, não tive um ataque fulminante por causa do TCC, mas tive fins de semana, madrugadas e dias, angustiosamente, monográficos. Contudo, venci essa etapa. Sou jornalista. Quase não escrevi poesias. O ambiente e a mente não estavam propícios. Mas sorri muito, o que ofuscou as eventuais lágrimas, e isso basta.

Ganhei um dinheirinho a mais com alguns bicos. Mas a riqueza monetária ainda é uma meta. Quero conforto, eliminar dívidas, nada muito gigantesco. Mas, é claro, que se a mega da virada sair para mim, não vou recusar.

Assisti a alguns shows. Longe da multidão, no sofá, pela internet, direto da tranqüilidade da minha casa. E, sabe, às vezes parecia que eu estava lá. Viajei para a mesma cidade três vezes esse ano. Terra da minha família. Ainda sim, conheci pessoas novas e um lugar novo. Foi a trabalho, mas foi divertido. Ampliei os contatos e horizontes.

Conquistei um emprego. Na minha área. Essa notícia ainda está fresquinha. Estou satisfeita com isso. As férias que tive foram aquelas, coletivas. Sim, descansei apenas nos feriados. OK. Em julho aproveitei e saí mais do que o esperado, mesmo estagiando. Meio que antecipando a reclusão que viria no segundo semestre do ano. Dormi menos que queria, mas acordei todos os dias, e isso sim, meu amigo, é o que importa. Despertar todos os 365 dias.

Agora, o que me orgulho de ter perdido, me contradizendo lá em cima, foram alguns quilinhos. Aderi à dieta e, olha, não foi tão ruim assim. Sobrevivi.

Reclamei muito, com razão e sem razão. É a prova de que sou humana e que nem tudo é perfeito. Tentei tirar as negativas, mas imperfeições são difíceis de eliminar, como dizia Clarice.

A tatuagem, o namoro, as atualizações freqüentes do blog, a pessoa decidida... Bem, isso são pendências que ficaram para 2012. Afinal, é complicado resolver tudo em um ano apenas. E, se são as esperanças e sonhos que nos movem e nos fazem querer viver, foi bom ter deixado de conquistar alguma coisa.

Então, o que me resta é agradecer: a minha saúde e dos meus familiares, as pessoas que conheci, a família e amigos que tenho, o meu trabalho, a minha formação, a minha vida. Agora, é preparar a comemoração e deletar as coisas que deram errado e ir rumo a um futuro, que já começou. De novo.



23 de dezembro de 2011

Presente

Passos firmes e calmos. Os cabelos já mais brancos que grisalhos.
Olhar fraterno.
Quase sempre sob lentes levemente arranhadas pelo tempo,
sustentadas por uma armação de alumínio.
O sorriso constante.
Envolto em palavras sábias ou
simples bobagens ditas sem algum constrangimento.
O zelo com os seres vivos e a solicitude em qualquer situação.
A inseparável mãezinha na gola.
Sempre ali... do lado esquerdo.
Próxima a um coração que não se abalou com os tropeços da vida;
E fez-se maior que o próprio tempo...

12 de dezembro de 2011

...


O momento é tão intenso que você se esquece dos detalhes... Ficam os sorrisos, o apoio, as palavras amigas. É como se você entrasse para outra dimensão. E ficasse alheio ao tempo, aos c o m p a s s o s. Assim, lento mesmo. Com espaços para respirar. Tudo passa sem sentir e quando você percebe, o fim está próximo. Apocalíptico, eu sei. É como uma pequena morte. O fechamento de um ciclo. Mas também é um renascimento. É saber que o futuro, aquele muitas vezes distante, está logo ali, te esperando. É a tensão que se sobrepõe ao alívio. E a certeza, que sagaz, briga para nos mostrar que sim, temos uma vida nova, cheia de possibilidades. Basta escolher um caminho. Sobretudo é a falta. A falta da rotina, das pessoas, das vozes, rostos, gostos e gestos. Embora sobre a presença do convívio, das trocas, das lembranças. É o fim do começo. E o começo do fim. É, acima de tudo, a materialização de um sentimento que se nomeia, mas não se define: a saudade. Aquela que insiste em se instalar no nosso peito, feito um vírus. ATROZ. Em letras garrafais para intensificar a dor que ela nos causa. Ilustrar a grandeza com que ela nos consome. Paradoxalmente, nos mata a conta-gotas, ao mesmo tempo, que nos alimenta e nos mantém vivo. Essa vida, que é uma constante simbiose.

31 de outubro de 2011

(Sem) grafia

Monografia
Monstrografia
Merdagrafia
Muda o prefixo
E nada se desenvolve
Tô de saco cheio.
Ei férias, eu já estou pronta, e você?

P.S: Tempo para fazer esse versinho tosco eu tenho, já para escrever um capítulo...

10 de outubro de 2011

Equilíbrio


A passos trêmulos
eu vou andando
na corda bamba

no fio da navalha

naquela linha tênue
entre a sanidade e a loucura

um dia, tombo para o lado.

20 de maio de 2011

Espelho

Olhos que há muito não vejo
Tempos que há muito não olho
Olhos que vejo no tempo
O tempo que vejo em seus olhos